sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Manipulação II



Manipulação II 
ONA 1990 ev



Um dos princípios fundamentais da Magia Negra é o elitismo: a crença que a maioria está abaixo dos iniciados em termos de compreensão, inteligência e habilidade. Isso fornece a base para manipulação - tanto no nível pessoal, quanto no mágicko. 

Geralmente, o novato em Magia Negra desdenha os outros - até e a menos que o seu valor seja demonstrado ou comprovado. No entanto, conforme explicado anteriormente (em Manipulação I), um novato experiente terá aprendido a sutileza da manipulação: raramente a confrontação direta como um modo de manipulação será usada (a menos que uma pessoa ou grupo mereça ser tratado dessa forma: ou caso essa abordagem seja magickamente necessária. Em vez disso, haverá a abordagem "fluindo com"- manipulação sem a pessoa ou pessoas estarem cientes disso. Muitas vezes, essa abordagem é "psicológica"; outras vezes pode ser psíquica (por exemplo, diretamente mágicka) - ou ainda através do carisma do magista que domina a personalidade da(s) pessoa(s) em questão. 

Seja como for, haverá uma arrogância com base na crença da própria superioridade - e, dessa forma, um isolamento. Pois o verdadeiro Magista Negro, é fundamentalmente um forte individualista que considera a sua própria companhia melhor que a dos outros - a menos que os outros possam ser úteis de alguma forma. Ou seja, não há nenhuma dependência de qualquer tipo, especialmente emocional, em relação a qualquer indivíduo ou indivíduos. Logicamente, é isso que o novato se esforça para alcançar. Não é possível alcançar isso rapidamente - ou somente pela "vontade". Pelo contrário, trata-se de um processo cumulativo - uma mudança alquímica, uma reorientação da personalidade, e tais mudanças levam tempo. 

No caminho sinistro septenário, essas mudanças ocorrem durante o estágio de Adepto Externo e são um prelúdio necessário para o Ritual de grau de Adepto Interno. Um dos aspectos mais importantes desta mudança é o que envolve a companhia - o envolvimento emocional inicial vai mudando gradualmente, deixando de ser uma dependência para se tornar uma parceria - um entendimento mutualmente evoluído; a paixão (sexual e emocional) que o novato possui transforma-se em maturidade. 

A arrogância do Magista Negro não é vazia: não é uma postura. Pelo contrário, ela surge de dentro: a partir do conhecimento e do discernimento que o próprio novato adquire de si-mesmo - ao ter tido êxito em ambos os sentidos, pessoal e mágicko. Através dos objetivos mágickos e práticos definidos para os novatos, eles desenvolvem a autoconfiança, o orgulho e a arrogância verdadeiramente satânicas. O  treinamento e a obtenção desses objetivos práticos geralmente levam o novato ao limite de resistência física e mental - e isso forma o caráter de uma maneira específica [ou derrota o novato, que desiste e deixa a auto-ilusão triunfar - “Eu não preciso de nada disso: isso é tudo ultrapassado ou não me serve; Eu já conquistei o suficiente... - ou ele abandona a busca mágicka e talvez, para mais tarde, tentar outro “método” (que seja mais fácil) ou encontrar outro “professor”].  

Inicialmente, essa arrogância é superficial e expressa por modos, atitudes e até mesmo na aparência. Mais tarde, quando o Adepto a alcança, ela torna-se oculta - exceto nos olhos e no carisma que caracterizam um Magista Negro. Muitas vezes, a manipulação inicial é externa - um complemento para a magia externa - posteriormente, ela se torna “interna” (relacionada aos objetivos internos do Adepto Externo) e mais tarde ainda, aeônica (atada às energias acausais e supra-pessoais). [qv. No Deofel Quartet há exemplos de vários tipos apropriados para Iniciados e Adeptos Externos.] 

Tradução: Yogamaya Purnamasi Devi Dasi
Revisão: AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Manipulação I - Temas sinistros

Manipulação I 
Temas sinistros 
ONA 1990 ev



           Trata-se de um fato na magia sinistra externa, a necessidade da manipulação. Há a manipulação de formas, imagens e energias mágickas, bem como uma manipulação direta e indireta de pessoas. 
          A manipulação de pessoas pode surgir de muitos fatores e ser realizada por muitos motivos. Inicialmente, ela é geralmente feita pelos Iniciados que desejam se deleitar com a sensação de que tal manipulação pode trazer, e que muitas vezes traz - uma sensação de poder e reforço do ego: ela cria um senso de autoidentidade e propósito, aumentando a “posição” do Satanista/Mago Negro. 

          Além disso, há o uso pelo Adepto Externo de diversos papéis - como um Sacerdote ou Sacerdotisa - que por sua natureza envolve determinadas porções de manipulação de terceiros, por exemplo, na execução de um Templo ou grupo. A experiência traz habilidade - uma aprendizagem através dos erros e, portanto, uma abordagem mais sutil. Em vez do confronto direto, há um "fluir com" outra(s) pessoa(s) e um hábil redirecionamento deles: ou seja, elas acreditam que estão agindo livremente, ao invés de estar sendo manipuladas. Após o estágio de Adepto Externo, pode haver o uso de tais habilidades conforme o wyrd do Adepto (consulte o Apêndice). 
           O que todos os níveis têm em comum é a aceitação da crença de que o Iniciado mágicko é superior ao não-Iniciado: que os outros podem ser usados para alcançar objetivos pessoais/mágickos. Logicamente, no início esse sentimento de superioridade pode ser infundado e mal colocado - por ser decorrente de uma simples arrogância e auto-ilusão. No entanto, se o Iniciado realmente aprende e segue o difícil caminho de magia interna, isso se tornará realidade, o Adepto Externo tendo adquirido a habilidade e começado o processo de desenvolvimento do caráter: que o distingue dos meros mortais. Além disso, determinadas habilidades serão desenvolvidas (algumas conectadas com o ‘Oculto’) e surge um  grande potencial - criando um novo indivíduo a partir do pré-Iniciado. 
       
          O pós-Iniciado perceberá a compreensão bastante limitada da maioria e a verá como sendo influenciada por todos os tipos de influências externas e inconscientes: em suma, compreenderá que essas pessoas não são realmente livres. Elas serão vistas como dirigidas e controladas de diversas formas por diferentes meios - por forças arquetípicas dentro de sua própria psique, direta ou indiretamente por terceiros e por ideias/formas/instituições/ideologias, bem como pelos diversos padrões de energias psíquicas assumidos (um deles é o éthos da cultura/civilização a qual pertencem).           
          Para o Iniciado sinistro isso será esclarecedor e muito útil, pois fornece oportunidades para experimentação e auto-aprendizagem, como por exemplo, administrar um Templo. 
          Não há nenhuma moralidade aqui - apenas o juízo de experiência: a maioria das pessoas não é conscientemente ou esotericamente bem desenvolvida. Na verdade, ainda é bastante primitiva. O iniciado assume uma visão desapaixonada - ainda que haverá vezes em que o seu envolvimento direto irá levá-lo ao comprometimento/envolvimento emocional, conduzindo a um auto-aprendizado a partir dessa(s) experiências, como deve ser no progresso do Iniciado em relação aos outros Graus. No entanto, inicialmente, os outros são vistos como meios. 

          Gradualmente, há um distanciamento - do envolvimento pessoal e direto para um mais indireto e mágicko: uma internalização. Isso traz a consciência da psique do próprio Iniciado e, assim, a real compreensão. Pode haver, e na maior parte ainda há, a manipulação de terceiros - mas isso evolui do aleatório para o direcionado, centrado no que o Iniciado acredita como sendo seu próprio destino em termos mágickos. O mesmo se aplica na manipulação de energias mágickas - há primeiro uma evolução do tipo externa não-direcionada (que muitas vezes surge a partir do inconsciente - ou seja, que não foi compreendida conscientemente) para o tipo interna como um processo da magia interna, e então novamente para o tipo externa em uma forma direcionada, a direção surge a partir dos objetivos mágickos estabelecidos para aqueles envolvidos no percorrimento do caminho sinistro. Em suma, há uma consciência desse equilíbrio que também é muito importante para um Adepto genuíno. 
          Esse equilíbrio - para um Adepto Externo - é expresso na compreensão, a partir da experiência [ou seja, não "de aprendizado em livros"], de que magia como uma forma direcionada nem sempre é causal quando usado para assistir o indivíduo externamente (e, às vezes, internamente) - ou seja, envolve outros fatores que o indivíduo, no momento do trabalho/ritual, pode não estar ciente ou no controle. Resumidamente, a ilusão de ter alcançado o controle/domínio de todas as formas mágickas através de técnicas, é perdida. Um dos fatores envolvidos é o wyrd do indivíduo; outro é o wyrd do Aeon; e ainda outro - e talvez o mais importante para a compreensão do indivíduo, é a natureza da própria magia: ninguém que não tenha transcendido o abismo pode direcionar ou controlar de uma forma causal todas as formas divergentes de qualquer energia mágicka assumida no causal. No entanto, muitas vezes a maioria das divergências passam desapercebidas quando a “magia prática” é executada, pois a escala de tempo dessas divergências não é o mesmo que o dos efeitos ou de quando é notado pelos Iniciados/Adeptos Externos e na maioria das vezes é o que considerado “sucesso/fracasso” do trabalho. Algumas dessas divergências não representam, ou podem não representar, nenhuma consequência para o indivíduo que conduziu o trabalho - ou seja, podem não produzir efeitos externos discerníveis - e mesmo no caso de representarem alguma consequência, o Iniciado/Adepto Externo as ignoras ou as toma como outras formas temporárias. O reconhecimento ou sensibilidade dessas divergências inicia o processo que conduz o Adepto de Externo para Interno: novamente, a experiência prática é o mestre. Deve ser óbvio que a consequência (seja percebida ou não) é efeito dessas mudanças acausais sobre o indivíduo devido ao a) wyrd desse indivíduo e/ou b) wyrd do Aeon. 

          Essa é a curva de aprendizado que os trabalhos mágickos transmitem. Em um sentido, cada Ritual de Grau e as experiências associadas transmitem mais habilidade para apreender e assim controlar as manifestações causais - proporcionam mais habilidade na manipulação mágicka e de pessoas (há um estágio onde os dois são vistos como sendo a mesma coisa), bem como traz a consciência de efeitos causais além da escala de tempo do trabalho e seus desejos/resultados. 
          
          A compreensão dos limites (bem, alguns deles!) ocorre frequentemente após o rito dos Nove Ângulos solitário de um Adepto Externo - primeiramente, intuitivamente, e depois de forma mais consciente. Isso inicia o processo de consolidação e leva a promoção de uma auto-percepção, retorno da auto-ilusão, ou rejeição da mágicka e da busca. Por isso, em essência, o rito solitário é uma amostra do caos do abismo - a energia acausal não-direcionada, os efeitos [ou seja, que resultam do presenciamento no causal [”na terra”]) que em sua maioria são imprevistos e muitas vezes indesejados, o ritual em si tão bem estruturado (ou melhor, não-estruturado) que pouca ou nenhuma direção é dada à essas energias - elas fluem e se apresentam de acordo com sua natureza, com o indivíduo sendo um canal. [Observação: isso é o que acontece em uma extensão maior ou menor nos trabalhos externos de um Iniciado/Adepto Externo, que são o ‘componente acausal’ do trabalho.] Assim, o wyrd do indivíduo em alguma extensão direciona e/ou interrompe o fluxo, produzindo determinadas alterações no causal. A natureza dessas mudanças depende desse wyrd. 
          A essência da mágicka - e portanto, da manipulação sinistra - é vislumbrada e aprendida em maior parte pela primeira vez. Isso permite que ambos os componentes causais e acausais das energias acessadas através de um trabalho mágico sejam controlados e manipulados e assim, presenciados no causal, e é isso que caracteriza o Adepto genuíno: o Adepto interno possui a compreensão, e o Mestre/Mestra pode tornar essa compreensão real. 

Tradução: Yogamaya Purnamasi Devi Dasi
Revisão: AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -

sábado, 9 de setembro de 2017

Anotações sobre o estudo e prática no Satanismo Moderno


No Satanismo tradicional, espera-se que o novato não apenas estude as suas doutrinas e tradições, mas também as pratique em sua vida. Assim, um recém-iniciado Satânico - seja trabalhando sozinho ou como um membro de uma Ordem/Templo estabelecido - deve estudar essas obras e se esforçar para aplicar os princípios nelas contidos e conforme descritos.

As obras são: O Livro Negro de Satan; Naos; Hostia - Vols. I, II, III; Hysteron Proteron.

'Naos' deve ser usado como um guia para trabalhos herméticos práticos, tanto internos quanto externos. O 'Livro Negro' deve ser usado como um guia para formar e executar um Templo Satânico com o propósito de magia cerimonial. 'Hostia' e 'Hysteron Proteron' deve fornecer uma percepção sobre as crenças e tradições Satânicas. Além disso, as imagens do Tarot Sinistro devem ser empregadas (por exemplo, em alguns dos trabalhos contidos no 'Naos'), e o 'Deofel Quartet' deve ser lido para fornecer uma compreensão adicional, juntamente com o Livro Negro II e III.

A prática satânica no mundo real deve surgir a partir da a) formação e execução de um Templo Satânico; e b) do acometimento de Papéis de Insight e de outras tarefas Satânicas. Além de um Papel de Insight específico, que o novato deve escolher, ele deve assumir diversos desafios físicos necessários [ver o MS 'O grau de Adepto - seu verdadeiro significado', por exemplo] e se esforçar para aumentar sua experiência através da vivência satânica de uma forma que ajude a dialética sinistra. Ele poderá compreender o que essas experiências representaram, após estudar os trabalhos mencionados e após realizar as tarefas, provas etc., até o grau de Adepto Externo, [qv.'Naos', e os diversos guias MSS para o Caminho Septenário] como por exemplo, executar um Templo por alguns meses, e alcançar os objetivos físicos.

Uma das tarefas pode ser planejar e realizar um abate. Outra pode ser ajudar formas herméticas, por exemplo, envolver-se com um grupo extremista que busca a destruição do 'Sistema' e cujos princípios e objetivos estão de acordo com o ethos Satânico e cujas ações ajudam a dialética sinistra. [Obviamente, ambas devem ser combinadas.] Outra forma, pode ser minar as estruturas presentes, fomentando o seu declínio, por exemplo, traficando drogas. Outra pode ser retirar de forma prática regular, a escória e os inúteis - por exemplo, através de ação vigilante [esse é um abate realizado regularmente, em vez de algo ‘único].

O que importa nessas tarefas é o novato escolhê-las para ganhar experiência prática no Satanismo e aumentar sua compreensão, de forma a ajudar o seu desenvolvimento esotérico. Naturalmente, para serem qualificadas como ações Satânicas, elas devem ajudar a dialética sinistra - ser etapas rumo a realização do objetivo estratégico do Satanismo. Aqui, uma compreensão de Aeonicos é essencial, bem como uma verdadeira percepção do Satanismo tradicional: conforme explicado em Hostia I, II e III e também para os prováveis novatos no livreto 'Satanismo: Uma Introdução Básica Para Perspectivos Aderentes'.

A escolha da ação concreta é do novato: ele deve usar sua compreensão para escolher as tarefas Satânicas. Ocasionalmente, ele pode receber conselhos de um Satanista mais experiente, mas suas escolhas finais devem ser próprias. O que importa é escolher e agir. Os atos são experiências de aprendizado, provas, e não importa se por falta de compreensão, ele escolher, ou parecer ter escolhido errado. Ele certamente aprenderá algo com isso, ou não. Caso não aprenda, ele basicamente falhou - mostrando não ser adequado. Independentemente disso, sua ações terão presenciado o sinistro de uma maneira ou de outra.

Ao seguir essas tarefas - que devem duram alguns anos - o novato pode partir para o próximo estágio do seu desenvolvimento esotérico, que é o Ritual de Grau de Adepto Interno. Esse é um rito de síntese, trata-se do surgimento do Adepto.  

Tradução Yogamaya Purnamasi Devi Dasi
Revisão AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -

terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Moralidade do Satanismo



A essência da moralidade satânica – na medida em que o individuo Satanista é interessado – pode ser simplesmente expressa: um Satanista faz uma avaliação dos outros, julgando-os, e então decide se esses outros, em uma base individual, são vitimas adequadas. Se elas são adequadas, como vitimas, então o Satanista atua de acordo – e.g. manipulando-as, usando elas e outros. O julgamento é baseado no caráter – i.e. a pessoa que está sendo julgada possui um caráter fraco? Eles são escória, indignos? Se eles são julgados serem, pelo individuo Satanista, então eles são indivíduos adequados.
É uma das metas do treinamento Satânico cultivar julgamento Satânico em um nível individual. Entretanto, deve ser notado que há duas formas de julgamento Satânico – o pessoal, e o aeonico. O aeonico é um refinamento do pessoal, a pessoa sendo julgada não somente por seu caráter mas também por aeonicas, em termos de sua utilidade no alcance de metas sinistras de acordo com a dialética sinistra da história. Esse MS trata-se do tipo pessoal de julgamento – outros MSS tratam do segundo tipo.

O cultivo de julgamento Satânico – a avaliação de outros – é uma qualidade essencial, e uma que o Adepto Satânico deve possuir. Esse cultivo é basicamente uma experiência de aprendizagem – às vezes, o noviço comete um erro, mas aprende com isso. Uma vez que um julgamento for feito a respeito de outra pessoa ou pessoas (e com experiência, isso se torna instintivo) o Satanista pode atuar implacavelmente, se ação é necessária ou requerida – e.g. para alcançar um objetivo pessoal ou ajudar a dialética. O ato ou atos podem e envolvem o que outros [a fraca maioria] consideram atos imorais e/ou ruim.

Alguns relatos de caso dos arquivos secretos dos membros ilustrarão melhor a moralidade Satânica, ainda que deva ser lembrado que esses (com uma exceção) representam o estagio de noviço de desenvolvimento Satânico. Como tal, eles representam primariamente uma experiência de aprendizado para o noviço Satânico em particular envolvido, ainda que tais ações frequentemente ajudem o sinistro em geral (como no primeiro exemplo).

(a) Um homem jovem deseja experimentar alguns dos prazeres da vida e então procura dinheiro para capacitá-lo para alcançar isso. Ele decide se envolver com o que é chamado ‘tráfico de drogas’ – suprindo várias drogas para outros. Ele julga, muito corretamente a partir de um ponto de vista Satânico, que aqueles que usam tais coisas ou necessitam de tais coisas porquê são viciados, são fracos – eles fizeram sua escolha. Eles são vitimas naturais da vida, e mostram por sua própria escolha e ações que eles são basicamente indignos. Nosso jovem noviço julga que se os usuários de drogas não tem a força de caráter para resistir de usar tais coisas, ou seja, se eles se tornam viciados, eles são fracassados – uma avaliação Satânica muito óbvia.

Consequentemente, ele faz contatos e após um tempo tem um negócio muito lucrativo. Assim, ele está hábil para indulgência na maioria dos prazeres da vida e levar adiante sua educação Satânica. Naturalmente, como um Satanista, ele é astuto e cuidadoso em seu negócio – é somente um meio para um fim. Além disso, ele está ciente que ajudando certas coisas, ele está promovendo o sinistro em geral – ajudando a dialética selecionando, e enfraquecendo a sociedade e talvez criando oposição e assim mudança criativa.

(b) Uma jovem noviça, recentemente mudou para uma nova cidade, encontra sua qualidade de vida destruída por vizinhos grosseiros e barulhentos. Ela os taxa como escória. Sua primeira ação é tentar falar com eles – mas esse é um gesto que ela sabe que é provavelmente inútil. Ele é, mas ele condena seus vizinhos. Ela os ataca com magia – querendo causar doença, ruptura, talvez uma morte. Isso tem algum efeito, mas não soluciona o problema [como acontece frequentemente na vida real quando noviços utilizam-se de magia]. Então ela decide por uma ação mais drástica. Ela procura um parceiro conveniente, que ela atrai com sua malicia Satânica e usando sua sexualidade. Esse homem uma verdadeira pessoa desprezível e tem alguns amigos levemente menos desprezíveis. Nossa noviça é cuidadosa para não deixar seus vizinhos saberem de seu envolvimento – seu novo parceiro e amigos importunam seus inimigos continuamente, usando suas próprias táticas. Há algumas lutas, uns poucos ‘acidentes’ com a casa, com os carros do lado de fora, e outros. Não demorou muito para que seus inimigos decidam que tem tido o bastante e se mudam (um deles foi hospitalizado). 

Essencialmente, a noviça controlou a situação, de inicio – ela usou e controlou outros, por meios Satânicos, para alcançar sua meta após fazer julgamentos.

(c) Um homem chegando a meia-idade, iniciado a um ano, conduz um pequeno negócio. Ele quer alcançar mais sucesso. Há uma firma rival – o proprietário é um típico homem de negócio arrogante, sem caráter que está tentando provocar o noviço e passar por cima do seu negócio. Então nosso noviço decide atuar – ele taxa seu rival como uma vitima adequada. Essa avaliação também inclui a esposa e a jovem filha do homem, os quais nosso noviço julga serem desagradáveis, tendo experiência dos seus modos. Todos foram julgados e condenados por suas ações. 

Nosso noviço seduz a esposa do rival – e então sua filha, usando varias habilidades Satânicas e astúcias para alcançar isso. Ele então apresenta a filha para algumas pessoas, que mexem com drogas e prostituição – ela parece maliciosa o suficiente, e está logo envolvida com a ‘turma’, usando drogas e geralmente se comportando mal. Fotografias comprometedoras são tiradas e ela se vicia em drogas. Ela começa a roubar para pagar por seus hábitos, e então prostituição. Ela é presa. Isso distrai o pai dela. Nosso noviço infiltra algumas pessoas na firma de seu rival e eles criam alguma desordem – perdendo arquivos, perdendo alguns negócios, arruinando o quadro de funcionários. A esposa do seu rival é apresentada para outro homem, aparentemente romântico, e ela se rende ao seu encanto. Eles têm um breve caso. Mas ele a despreza [isso é tudo planejado pelo nosso noviço]. Ela começa a beber e tenta cometer suicídio.

Tudo isso se prova muito para o rival – seu negócio declina. Nosso noviço faz uma oferta, que é aceita. Então seu objetivo foi alcançado, por algum custo humano. Mas isso não causa abalo em nosso noviço – as vitimas foram vitimas de si mesmos, de suas próprias fraquezas.

(d) Uma Senhora da Terra que conduz um Templo de sucesso por muitos anos, deseja um opfer. Há um candidato a Iniciação que ela sente que pode ser adequado – ele tem certos desejos que ele acha difícil de controlar, e mais propriamente um caráter fraco. Ela arranja para ele encontrar algumas pessoas envolvidas em distribuição de pornografia. Logo, ele está profundamente envolvido em certas coisas, de sua própria livre escolha. Ela dá a ele varias chances para fazer alguma coisa por causa de si mesmo, mas ele não as aproveita. Ela arranja vários testes para provar seu caráter – e ele falha em todos. Ela o avisa, mas ele finalmente rompe com ela e o Templo dela, cheio de auto-ilusão sobre suas habilidades. Assim, ele se torna um opfer em potencial...

Todos os exemplos (na maioria triviais) ilustram moralidade Satânica em ação em nível individual – i.e. eles tem relação com julgamento e com o Satanista atuando sob esse julgamento para alcançar algum objetivo pratico que eles desejam. Isso é um aprendizado, uma expressão das forças sombrias presenciadas na Terra por atos Satânicos individuais, e assim a feitura, ou destruição, de noviços Satânicos e disso a criação de Adeptos Satânicos.

As ilustrações devem servir para mostrar que tal moralidade é individual, é única para o individuo Satanista.

Tradução por Diabolus Shugara
Revisado por AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -

Canto da Esfera: Agios Lucifer

Esfera de Mercúrio
[Nota: Repetir cinco vezes.]

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Makrokosmos

Bean Na Bainnse por Richard Moult
ONA 1997eh


O raciocínio Satânico, e o julgamento de uma “coisa”, deriva da experiência pessoal direta. Assim, para o satanista, não haverá entendimento real de algo até que esse algo seja vivido. Antes disso, entendimento é meramente acadêmico, contando com a validade de fontes que não são a própria experiência. A compreensão de uma forma não pode ser adquirida através de pesquisa acadêmica, uma vez que a pessoa nunca viveu a forma – há apenas observação dentro do conforto e limites (morais e outros) da própria vida do indivíduo, do mesmo modo que um jogo ou um filme é visto por uma audiência. Na maior parte das vezes, o estudante é livre para ser convencido ou não pela evidência estudada  – ainda há a liberdade, consciente e inconscientemente, para acreditar no que quer que o indivíduo sinta-se confortável em acreditar. Tudo que há é “opinião”.

Em relação a uma forma que possui espírito, élan [tal como no Nacional-Socialismo], não há como ocorrer encontro entre a vida do acadêmico e aquela forma através do estudo acadêmico, porque a forma  então “estudada” é vivencial; ela não pode jamais ser realmente conhecida através de palavras e ideias (tais como “politicas”), lendas folclóricas arcaicas –  ou até arte e música. Isto é uma revolução da alma, e como tal, o verdadeiro entendimento através do qual um juízo fundamentado pode ser derivado, só pode ser desenvolvido vivendo essa revolução; experimentando a realidade daquelas forças como elas são – por, essencialmente, viver além dos limites do próprio ser.

Com essa vivência, a vida do indivíduo, interna e externa, é afetada e mudada pela experiência porque a experiência é dinâmica e direta –  isso perturba, e diferente de um livro que pode ser dosado e deixado de lado, isso vive dentro e fora do indivíduo cada segundo daquela experiência.  Há uma profunda compreensão adquirida através da qual a força que motiva tal forma é completamente entendida, e assim, as várias manifestações causais (ou “histórias”), são entendidas a partir do contexto da essência, e são colocadas em perspectiva sem a interferência de moralidade contemporânea e sensibilidade social. Essencialmente, esse método dinâmico de entendimento é o único método relevante á uma forma que possui élan. Essa abordagem de aprendizado pode invalidar os métodos pelos quais a maioria busca estabelecer seu direito de aprender e assim julgar – mas essa é a realidade. A pessoa pode tanto acessar o aprendizado como um consumidor  através da abordagem estabelecida , “definitivamente”(ie. Investigação puramente por meio dos métodos respeitados por corpos acadêmicos – tais como “universidades”), ou o indivíduo busca o difícil – e algumas vezes perigoso caminho de desafiar suas próprias razões de crença (e de vida) através da integração prática com uma forma particular.

É claro, há poucos que poderiam empreender essa aproximação direta simplesmente porque, se eles forem honestos, eles não desejariam que suas vidas fossem tão perturbadas, – e viver a vida como, por exemplo, um perigoso revolucionário é uma perspectiva  muito assustadora. Para o satanista, são precisamente essas razões que fazem tal empreendimento necessário.

O desenvolvimento do raciocínio Satânico é parte do propósito do Insight Role. Esse método alquímico é muito difícil, pois requer que o satanista acredite em seu papel-e convença outros não-satanistas da sua sinceridade através de atos práticos [não adianta apenas editar um (por exemplo) Jornal Nacional-Socialista - ou escrever artigos  para jornais existentes]. O papel normalmente traz uma alienação de camaradas ocultos; família; outros amigos – as vezes perda de liberdade pessoal. Isso severamente testa, e assim desenvolve – ou destrói - o caráter.

Esse método não é, como alguns podem perceber, apenas uma manipulação cínica/habilidosa de uma forma para fins egoístas, pelos quais todas as formas são consideradas apenas meios para serem descartadas quando pessoalmente apropriado. Um insight role ensina empatia, para com as forças que existem além da vida do Satanista, e como elas influenciam as massas, contribuindo para a evolução de civilizações, etc. Há uma real apreciação da forma vivenciada; Uma apreciação julgada não apenas a partir de uma perspectiva “Satânica/Sinistra” - ou socialmente condicionada, mas de acordo com a forma como essa forma realmente é, em seus próprios termos “claros”. O Satanista é e ao mesmo tempo não é aquele papel: uma consciência que é, antes do grau de adepto, muito difícil de se vivenciar – e raramente, é  sequer entendida por não-iniciados.

Esse é o significado e propósito da Magia Sinistra: Trazer uma síntese através do conflito de opostos que existem dentro e fora do indivíduo. Essa síntese é o resultado de uma jornada prática, onde essa bifurcação ainda precisa ser experimentada, se as forças que ainda existem dentro da psique do iniciado estão para ser eventualmente entendidas, além do entendimento intelectual, como “abstrações”. Assim, o significado de Satã e o propósito, para indivíduos e Aeons, do Caminho Sinistro Septenário é:  empreender atos de oposição positiva, “blasfêmia"; porque sem tais atos de desafio extremo, não haverá genuína liberação interna... e então/assim  permanecerá por muitos séculos vindouros (veja também o MS “Satanismo, Blasfêmia e a Missa Negra").

Um Insight Role então cria um real entendimento da Aeônica – um entendimento além do Ser, e assim o cultivo da faculdade da Razão, e do brilho da genuína Sabedoria. Como afirmado antes, sem essa (árdua) experiência, há uma permanência onde o indivíduo está – apesar de qualquer nível de entendimento esotérico intelectual adquirido - centrado em torno de um estilo de vida em grande parte auto-indulgente. Essencialmente, sem experimentar essa bifurcação, a psique não será mudada, assim impedindo ela de viajar em direção aos reinos que separam o Iniciado do Adepto.

Tradutor: Temujin Ras Al´Ghul
Revisor: AShTarot Cognatus


- Ordem dos Nove Ângulos -

terça-feira, 25 de julho de 2017

Dark Pathworking: Satanas

Dark Pathworking: Satanas




Atu VII - AZOTH


"O Menstruum - o aspecto sinistro implícito dentro da água metálica homogênea": o fator explosivo no delicado equilíbrio dos elementos que aumentam a vida. Mudança por adversidade - o 'Acusador'. Como realidades brutais que ameaçam devorar o abstrato, o romântico. Insight e controle através da compreensão do Primal - ou destruição por ele ".

Vestido de preto, entrei na câmara, com a  intenção de invocar uma energia destrutiva que eu sabia que permitiria me superar de forma igualmente destrutiva. A intenção encheu meu próprio ser com uma ansiedade que parecia estar fora do lugar. Mas havia um sentimento de glória para o que eu faria - um sentimento que certamente voltaria para mim repetidamente, já que eu me aventuraria na obra das Trevas com a presença que criaria, Satan.

Eu acendi às velas e respirei profundo e lentamente, por alguns minutos - sabendo que primeiro deveria relaxar e tornar-me satisfeito com tudo ao meu arredor antes de mais uma vez arriscar-me a entrar nesse portal. O Tetraedro de Quartzo já estava  no altar, então percebi que ele estava pulsando junto as trevas. Era um Nexion, formando-se lentamente entre isso, eu e os cânticos que cantei para atrair os Deuses Obscuros. Eu sabia que esses Deuses, uma vez invocados para adentrar minha consciência, poderia causar muita agitação, até terror. Mas tal intrusão obtida, seria apenas uma pequena parte - quando comparado ao terror total e ao caos, que em essência são estes Deuses Obscuros, é um elemento importante para alcançar o equilíbrio que se busca.
Os Deuses Obscuros corporificam o espírito da vida e o dão a Carga Acausal implícita em qualquer ser consciente. Uma vez que os Deuses Obscuros invadiram nosso mundo causal, causando assim o terror, uma agitação e uma destruição que forçaram um desenvolvimento de nossa espécie por meio do aumento de nossa consciência. É isso que eu procuro alcançar, individualmente. Não é só para abrir mais um Nexion em mim, mas para extrair a essência enegrecida do ser, para que eu possa desenvolver a minha consciência, sobreviver ao terror e me aproximar um passo a mais do equilíbrio do plano Causal/Acausal, que eu procuro me tornar.
Quando comecei com as vibrações vocais - "Sa-tan-as" - eu mantive consciência em relação ao meu meio e sintonizava meu foco para extrair o elemento sinistro da força destrutiva e criativa; O que eu entendo por Satanas. Quando completei as vibrações, algo me ligou ao meu Tetraedro de uma forma inexplicável, experimentei uma frieza de ser. Ou seria melhor descrito como não-ser? Eu me afastei ligeiramente de onde eu estava, e continuei o rito. Comecei uma dança lenta, cantando repetidamente "Satanas", enquanto aumentava a velocidade. A dança foi espiralada para dentro, onde eu senti antes a presença de Satanas, e onde eu finalmente cai, esgotado e me separando do eu físico. Comecei respirando profundamente, não obscurecendo ou direcionando conscientemente nada que pudesse ocorrer em minha mente. Eu pretendia relaxar e deixas as visões que seriam usadas como comunicação para a consciência virem através disso.
As visões eram evasivas, mas os sentimentos não eram. A baixa temperatura tomou conta da câmara, e Satanas começou a tomar posse do vazio. Eu me descobri em uma luta, pois estava impregnado em uma espécie de caos que eu não consegui entender. A razão foi evasiva, a compreensão estava além do alcance. Tudo o que eu podia perceber estava se perdendo, sem saber para onde ir, nem se deveria ir a algum lugar. Uma figura no Atu mudou, e começou dar forma a energia. Mas isso não aconteceu dentro do próprio Atu, mas sim dentro de mim, fora de mim, na minha frente, ao meu redor.
Meu corpo enfraqueceu, e um exaustão agarrava-se firmemente para suportar e completar o rito. Eu não estava sendo drenado, como alguns podem pensar. Mas ao invés disso, eu estava experimentando um domínio em minha consciência que era até então inconsciente. Foi uma intrusão, que sem saber eu desejei ser brusca. E quanto mais brusca melhor, enquanto eu mantesse a habilidade para me mover. A exaustão que experimentei durante a dança não foi duradoura, já que era apenas um resultado de frenesi. Mas com Satanas, rapidamente surgiu uma exaustão profunda, não apenas do corpo, mas do espírito.
Depois, minha percepção se separou-se de mim . Esse sentimento de desapego e o esgotamento que o acompanhava duraria mais de vinte e quatro horas após a conclusão do rito. Este desapego, no entanto, não era uma ignorância para com o mundo causal de nossa existência, mas sim uma consciência das forças em ação por trás de tudo. Tal exaustão que eu senti, era um resultado dolorosamente zombador,  mas tudo o que eu podia fazer era sorrir para isso, pois é um preço pequeno a se pagar para o que eu procuro e sem dúvida, sentirei pior nas próximas vezes. Pior talvez, mas não sem a glória que eu senti dando inicio a isso, uma glória que não vai jamais diminuir.

Thornian, ONA.
  
[O precedente foi adaptado das notas do meu diário mágico descrevendo minhas experiências com a Árvore da Wyrd e a Tradição Septenária: Hebdomadria. - Thornian]

Tradução: Ajax Sirius
Revisão: AShTarot Cognatus

- Ordem dos Nove Ângulos -